terça-feira, 22 de maio de 2012

Parto e Nascimento


Era uma quinta-feira. 
Dia 6 de outubro de 2011.  
A data prevista para o nascimento do meu pequeno era para a próxima semana. Mas no dia anterior eu tinha “perdido o tampão”, primeiro sinal.

Bom, passei a noite daquele jeito. Indo ao banheiro de duas em duas horas. Não achando mais posição pra dormir sem se sentir esmagada por fora e chutada por dentro. Fora os soluços dos baby, sempre na hora em que eu ia dormir Parecia uma corrida de cangurus dentro da minha barriga. Enfim. 

Acordei as 8.
 Ó. Quem vem até pensa que eu dormi a noite toda, ao invés de ficar na minha maratona noturna de “How I met your mother” (até hoje a musiquinha de abertura, me faz lembrar das noites de grávida, hehehe). De repente sentir uma dor diferente das tais contrações falsas. Hmmm. 20 minutos depois, de novo. 

Levantei, peguei o celular e comecei a prestar atenção. 20 minutos cravados. Quando deu 11 horas, liguei pro Anders vir pra casa. A coisa ainda estava de 20 em 20, mas vai saber, né.

Nesse meio tempo, entre parar e fazer as respirações durante as contracoes (4 segundos inspirando pelo nariz e 5 expirando pela boca), eu cozinhei 1 kilo de feijão na panela normal, limpei metade das janelas da casa. Eu já tinha começado o projeto janelas no dia anterior, e minha mãe me disse que a hora do parto não estava longe, quando a futura mãe começa a limpar cada canto da casa, como se fosse a última vez na vida e como se nunca mais fosse ficar sujo.

Perto do almoço o intervalo caiu pra 15, e com o passar do dia 10, 8, e a noite, tipo umas 9 horas caiu para 7. Ligamos pro hospital. Como tudo estava ok comigo, pediram pra esperar até ficar de 5 em 5 minutos. A noite, eu já estava com dor mais forte e a cada contração o Anders fazia massagem nas minhas costas, pois só a respiração não tava dando conta. 
 Enquanto o tempo passava, lá fui eu pesquisar como é que o corpo trabalhava essas contrações. Era muito preciso. Se você tá curioso, olha aqui

Às 11 horas, ligamos pro hospital de novo e dissemos que  as contrações estavam de 5 em 5. Mentira, não tava ainda. Mas como a gente mora a meia hora do hospital, achamos melhor passar lá. O pior seria eles me mandarem de volta pra casa.
Ao sairmos de casa, eu parei o Anders na porta, segurei em suas mãos e disse: “ Essa é a última vez em que sairemos de casa só nos dois”. Ele me beijou. Esse beijo tinha gosto de alegria, emoção e medo. Esse bendito medo nos rondou por muitos anos e durante a gravidez. Mas eu estava preparada e tranquila. 

No caminho, eu olhava pro banco de trás e imaginava nosso caminho de volta do hospital com o pequeno sentado dentro dela !

No hospital, eu cheguei com 4 cm de dilação. Dizem que a cada hora você dilate 1 cm. Ou seja, mais umas 6 horas tudo estaria terminado.
Quando a parteira perguntou se eu tinha algum problema de saúde e eu disse que não ela me ofereceu um quarto na ala nova. A do parto humanizado.
Opaaaaa. Eu já cheguei falando de dentro do carro, que se preciso, eu queria anestesia. Ai, ela disse que como a ala era recem inaugurada, eles iriam aplicar a anestesia. Eu acreditei.
Nosso quarto não tinha banheira. Tive que me contentar assim mesmo.
E lá ficamos. A parteira equipou o quarto com um puff gigante, bola de pilates, uma cadeira tipo dessa. Eu coloquei um sonzinho no ipad pra ir ajudando a relaxar. 

Essa parteira era uma anja. Sueca, simpática e legal. Até massagem em mim ela fez. Até sentar na cama com o Anders pra ficar vendo foto de cachorro no celular dele, ela sentou. Até dobrar o turno dela pra ver a cara do Martin, ela dobrou. Santa mulher !!
4 horas depois eu tinha dilatado 1 centímetro !!!! Contrações a cada 5 minutos. Ai, ai, ai. Daí me surgiu uma ruga de preocupação. Essa novela toda iria demorar. 

A parteira fez o exame de toque e deu umas futucadas lá dentro, pra ver se agilizava. Eu pedi pra ela estourar a bolsa, pra acelerar, mas ela disse que como tudo estava bem, era pra deixar a natureza seguir o seu curso. Aham ….

Bom, a futucada surtiu efeito.
Entre as contrações eu senti a tal vontade de empurrar. Ah, eu já estava inalando o gás nitroso. Eu e o Anders, quando a parteira saia da sala. O que o gás faz é amenizar um pouco a dor, no topo da contração (a contração vem como uma onda, você sente o comecinho, no topo é quando dói mais e depois vai passando) e se você, assim como meu marido, não estiver parindo, vai sentir um barato. 

A parteira deu sinal verde pra empurrar e ficou com a gente no quarto. Até então ela ia e voltava.
E aí, eu passei pelo portal da partolândia. Lá você ouve o que acha que deve, o tempo toma uma outra dimensão. Você não sabe se é dia ou noite. As coisas acontecem em flashs. Eu fechei os olhos e conseguia até ouvir o meu cabelo crescer. Um lugar bizarro e especial essa tal partolândia. Uma vez lá dentro, você NUNCA mais será a mesma :-)

Parei de usar o gás pra me concentrar em empurrar. A dor parece a de fazer o número dois no banheiro. Aliás, você tem certeza que o neném vai sair pelos fundos. Mas é assim mesmo. Eu tinha lido hehehe.
Minhas contrações nunca ficaram com intervalos menores do que 5 minutos. Só no finzinho mesmo que vinham quase a cada 1 minuto. E eis que, entre gritos, pano umido na testa, suquinho na boca seca, apertos nas mãos do Anders, eu senti meu futuro filho viajando pelo meu corpo. A bolsa não tinha estourado ainda !!! E quando a cabeça saiu, ele estava dentro dela ainda. Eu estava em pé quando ele nasceu, apoiada na cadeira. Senti um splash no chão, por causa da água da bolsa e ouvi ele gritar, mas não conseguia vê-lo. Só lembro de perguntar se ele tinha cabelo, tinha ?? Ou não ??
Quando o recebi nos braços, o meu primeiro comentário: “nossa, como ele é pequeno!”. Realmente ele nasceu miúdo, 2660kg e 47cm. Pra minha sorte.
Lá estava ele, pequenino, com olhos abertos, chorando, claro. Mãozinhas, unhinhas, tudo mini. A única coisa que se passava na minha cabeça era, como era possível sair um mini gente de dentro de mim? Sentir mexendo na barriga é uma coisa. Ver no ultrassom e oooooutra completamente diferente. Agora, dar a luz……… é impressionante. Eu fiquei orgulhosa de mim mesma. Tipo, como se eu fosse a única  no mundo a ter parido alguém sem anestesia. Senti-me especial. O apoio e ajuda do Anders foram fundamentais também. Sem ele e a parteira, não sei se tudo teria ocorrido de forma tão mágica. 

Eu tive uma pequena hemorragia, na saída da placenta. Mas não precisei de transfusão, apesar de ter me rendido uma bela anemia.
Passamos ainda umas horas curtindo nosso baby, até transferirem a gente para a enfermaria. Dado ao pequeno tamanho do meu pequeno, a gente não poderia ficar no hotel. Mas tudo bem. Eu não conseguia dormir. Adrenalina a mil. Ah, também não conseguia parar de sorrir.
O dia em que passei no vestibular da USP, eu achei que era o melhor dia da minha vida.
Depois quando eu casei, achei que esse tivesse sido o melhor dia.
Quando descobri a gravidez, esse dia, ganhou o estatus de melhor.
Mas quando o Martin nasceu …… desbancou todos os outros, facilmente.
E então, naquela  sexta-feira, dia 7 de outubro de 2011, às 8:11 da manhã, nasceram uma mãe e um pai.

Aqui tem um texto muito bacana sobre a partolândia !!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Preparando-se para o parto



Ah ,esqueci de dizer que, quando a gente faz a ultrassom no hospital na semana 20 de gravidez, eles falam o tempo estimado para o nascimento.

Aqui, na Noruega, a gente trabalha até 3 semanas antes da data prevista do nascimento. Vou escrever depois um pouco mais disso num post relacionado a licença maternidade
.
Mas voltando a data, geralmente, a grávida tem duas datas, a do ultrassom e a da menstrução para quem tem ciclo regular. Aí, dizem que o primeiro filho atrasa. Aqui, ,se tudo está bem, eles esperam até a semana 42 pra induzir. Imagina, você sai de licença 3 semanas antes, mas no forninho tá tão bom, que o baby resolve esticar a estadia por mais 2 semanas. Ou seja, 5 semanas esperando. NINGUÉM merece. 

Na semana 35, a gente fez um curso pra grávidos no hospital.
Eu já havia participado de um outro curso, ,num outro hospital com uma amiga. Mas eu não lembrava patavinas, alias só lembrava de ter ficado apavorada no dia do curso e prometido pra mim mesma que eu nunca iria parir, porque isso era para os loucos hehehehe. Mas os hormonios …ahhhh, eles te preparam pra tudo. Você, que pretende ter um filho, vai fundo, porque ao final dos 9 meses, tanto seu corpo quanto mente estarão preparados.

Bom, no curso, eles explicam quando é que a gente tem que ligar pro hospital, ou seja, quando estourar a bolsa, ou as contrações estiverem a cada 5 minutos, por exemplo . Eles pedem, encarecidamente para que a grávida fale ao telephone, senão fica o marido falando com a parteira, que faz uma pergunta, dai ele pergunta pra grávida que responde, a parteira ouve, mas o marido repete, e por aí vai. Falam o que a gente pode e deve levar na malinha do hospital, como roupas confortáveis, roupa para o bebê sair do hospital, snacks pro trabalho de parto, aqui eles falam pra você comer chocolate, amendoim, nozes, coisas que deem energia pro corpo. 

Elas explicam também o que acontece com o corpo durante o processo de parto, mostram videos, etc. 

Falam também dos tipos de anestesia, como epidural por exemplo, ou outros métodos para aliviar a dor, como acupuntura, gas oxido nitroso, banheira (dependendo da condição da grávida e disponibilidade dos quartos, pode-se ter o parto na água, nesse hospital, sem pedido prévio). Se tudo estiver bem o bebê e a mãe, eles podem, junto com o pai, se hospedar no hotel do hospital e ficar mais a vontade. Já na enfermaria, tem-se que dividir o quarto com outra pessoa e o bebê dela, e o pai nao pode pernoitar. 

Outra dúvida entre os papais do curso também foi sanada, “onde estacionar o carro” hehehe essa era a úncia preocupação deles. 

As parteiras também preparam os pais para encarar uma mulher alterada durante o trabalho de parto. E pedem pra eles por exemplo, não dormirem enquanto a mulher está lá parindo, não reclamar que estão cansados e se prepararem para serem xingados ou implorados por um copo dagua.
Esse hospital onde eu tive o Martin foi reformado e abriram uma ala nova para o parto natural, que foi inaugurada em setembro de 2011, quando a gente fez o curso, eles estavam acabando de entregar a ala nova. 

Nessa ala, os quartos parecem de hotel, com banheiro e banheira em alguns, e eles não dão a epidural, é o tal do parto humanizado. Mas pode-se usar todos os outros métodos, inclusive o gás. Aliás, o gás nao tem em todos os hospitais aqui. Em alguns eles baniram, pois estava fazendo mal para os funcionários, que ao longo prazo inalavam passivamente.
Na outra ala, o espaço é divido em 3 salas. A primeira tem vários equipamentos, e uma super cama para parir, que muda para várias posições, bem bacana. Daí, tem uma porta de correr com o banheiro e uma mega banheira, onde até o pai pode entrar, se quiser, durante o parto. E depois, outra porta, e um quarto para a familia curtir as primeiras horas com o recem nascido. Nessa ala, eles dão a epidural. 

Já a epidural, aqui, pelo o que li na net e relatos de amigas minhas, você tem que chegar pedindo já. Eles tentam dar uma  enrolada pra ir no seco, então você desce do carro e já sai gritando e implorando pela danada. Pra garantir. 

A maioria dos partos aqui sao normais. Cesária só em caso de vida ou morte, literalmente. Ou de gravidez de risco. Ou se a grávida tiver um medo muito grande do parto. Mas ai, de repente, tem até que levar algum atestado pra provar que tem medo. 

O meu pior pesadelo era ficar 48h em trabalho de parto pra ter que terminar com uma cesarea de emergência. Credo.

Chegando no hospital voce é recebida pela parteira da vez, e se o parto for muito longo, ela vai embora no turno dela, e te mandam outra. Nessa parte, acho que é mais parecido com os hospitais publicos aí do Brasil, mas sem parteira. 

Conclusao foi, que não sai de lá com medo :-) Ainda bem. Senti confiança nas funcionárias e não via a hora de voltar pra lá tendo as minhas contrações. 

Outra coisa que fiz para me preparar pro parto, foi acupultura. Eu já tinha feito várias sessões, numa clínica especializada, quando estava fazendo tratamento pra engravidar. E depois, por conta das contrações falsas e dores, eu voltei lá. Fazia acupultura e reflexologia. A minha acupulturista também falou muito do parto natural, das dores, das respirações, posições, e me receitou algumas homeopatias para antes, durante e pos parto.

Fora isso, eu ainda fiz ginástica em casa com essas bolas de pilates e meditação. Colocava uma musiquinha bem gostosa e mentalizava um parto tranquilo, alem de treinar a respiração. Essa parte do preparo mental foi FUNDAMENTAL. Acho que fez a diferença estar tranquila e confiante no próprio corpo.

sábado, 5 de maio de 2012

Gravidez, parte 2


A partir da 20. semana de gestação a gente pode passar a fazer o pré natal com a parteira. Pode também continuar só com o médico, ou com os dois se quiser. 
Eu preferi ir só na parteira, pois o meu médico não tinha tempo ou paciência para uma consulta decente. 

A parteira te atende no posto de saúde mais próximo de casa.

O pré natal daqui, tenho a impressão de ser mais basicão do que os do Brasil. 

Eles pesam a gente, medem a altura do útero, tiram pressão, apalpam e checam a hemoglobina. A parteira tem calma, te entende, tem todo o tempo do mundo. Adorei. 

Eu tive uma gravidez bem tranquila. Não vomitei, tive um pouco de enjoo, mas nada demais. Fiz escalada até o terceiro mês de gravidez, nadei até o oitavo.

Mas no meio do caminho eu comecei a ter as tais contracões falsas. No início, eu achava que era a cabeca da crianca virando de um lado pro outro, dado o calombo duro que se formava na barriga e era meio desconfortável. E só no fim do dia.
Com o passar do tempo a coisa foi piorando. Calombos maiores, mais doloridos e mais constantes. 

Era preciso fazer repouso para não ter dor. Mas quem disse que eu conseguia ? Enfim.



Ou seja, só batendo perna pra cima e pra baixo. 

Em Nova Iorque a gente fez uma ultrassonografia 3D. Eu estava na semana 28 e lá era menos da metade do preco daqui. 

Ainda bem que demos sorte, pois nem sempre se consegue ver a carinha do baby de primeira, dependendo da posição.

Para quem tiver oportunidade, eu aconselho a fazer. É MUITO LEGAL ! Você vê o bebê se mexendo, abrindo a boca, fazendo careta, sorrindo, e as vezes, a gente nem sente a barriga mexendo, mas está o maior festerê lá dentro. 

Aproveitamos para fazer compras para o enxoval. Comprei muitas roupinhas na Carters e muitas coisas na BabyrUs, tais como mamadeiras, chupetas, acessórios para alimentacao, canguru para carregar o bebê, bomba de leite, e outras coisas. Tudo muito mais barato do que aqui na Noruega. 

Passando o verão o tempo voou. 

Eu aproveitava pra me reunir com mais duas amigas brasileiras que também estavam grávidas de meninos para trocar idéias e dicas.

No meio tempo, aquela coisa de mãe de primeira viagem, arrumar o quarto,lavar as roupas e tudo  mais. 

Em setembro, já no fim da gravidez, recebi a visita de uma super hiper amiga do Brasil. Veio com o marido e a mãe, e ainda assim arrumei forcas para passear com eles. Devagarzinho dava pra encarar. 

Nessas alturas do campeonato eu já estava 100% de licenca médica, por causa das benditas dores e risco do beber nascer antes do tempo. 

Agora, essa coisa da licenca médica, aqui, na Noruega é um capítulo a parte. 
O povo abuuuusa do sistema. Pelo menos no meu trabalho de 12 grávidas no ano de 2011, apenas 2 trabalharam até o final. 

Agora convenhamos, que gravidez não é doenca. E sim, algumas mulheres sofrem com os enjoos no primeiro trimestre. Mas aqui comeca assim, sai de licenca 3 meses, porque está com enjoos. A criatura aparece no trabalho pra levar a papelada pro chefe e tá com mais saúde do sua bisavó de 98 anos. Aí, volta a trabalhar só com 50% da carga horária, porque está cansada. E aí, mais algumas pra ir aumentando o tempo de licenca e no último mês nem aparece. O salário continua pingando na conta integralmente.
Outra coisa que acontece demais aqui é sair de licenca por causa de dor nas costas, bekkenløsning ou na região da bacia, coisa totalmente normal entre as grávidas, mas aqui é doenca, tem até nome e procurando na internet você vai achar, entre outras coisas, que se trata de um fenomeno nórdico, oi ?!?!?!! Ou seja, você vai o mèdico e diz que tem dor nas costas e pumba, licena mèdica, com salário integral e tempo pra passear no shopping. Uma colega de trabalho teve a tal da bekkenløsning com 2 semanas de gravidez. Para vocês terem uma nocao. 

Algumas semanas antes do parto a gente foi fazer uma sessão de fotos com uma fotógrafa conhecida nossa,  

Photo by Tanya Schoonraad Wallin.
Copyright: Ospix foto

Photo by Tanya Schoonraad Wallin.
Copyright: Ospix foto

Photo by Tanya Schoonraad Wallin.
Copyright: Ospix foto




 

Gravidez, 1 parte


Salve !

Vou aproveitar o espaco do blog para contar como foi e estão sendo as coisas como ex-grávida e atual mãe. Do meu ponto de vista e juntamente com a vida na Noruega, seus costumes, tradicões, etc. 

Bom, aqui, assim que descobri que estava grávida, não tem muito o que fazer. 

Você fecha o bico até a 12 semana de gestação, se bobear não conta nem para a mãe.
No trabalho, você disfarça. Até nâo aguentar mais. 

Se ligar para o médico, ou fastlege como se diz aqui (cada pessoa tem um clínico geral, designado pelo governo, que você pode trocar se quiser até 2 vezes por ano) ele só vai te ver a partir da 12 semana.

Eu liguei. E só tive a primeira consulta quase que no terceiro mês de gravidez. A tão esperada consulta levou 4 minutos e 34 segundos. Sim, o belezura do médico estava atrasado, pobre. Foi o tempo de preencher meu nome num formulário e mandar eu coletar sangue. Legal né ? Não enconstou a mão, não perguntou como eu estava, não me indicou ou contra indicou nada. Enfim. Odiei.

Bom, o que eu fiz, foi na 6. semana, procurar por um ultrasson particular. Eu só acreditaria que estava grávida vendo J Então fomos a uma clínica aqui, a Volvat. Uma médica muito gracinha me atendeu e conversou as coisas básicas como alimentação, tomar ácido fólico, etc.
O coraçãozinho do baby já estava a bater. Muito emocionante e bizarro.
Na 10. Semana eu ouvi o coração bater. Sai do consultório ainda com a sensação de, nossa, será que é verdade ?! Tantos anos de tentativas, era difícil ainda acreditar. 

Na 12. Semana eu voltei no Volvat pra fazer uma ultrasson e checar a possibilidade de síndrome de down.
Aqui na Noruega, a gente só tem direito a um ultrasson na semana 20. A ultrasson da semana 12, que pode ajudar no diagnóstico da síndrome de down, só pode ser feita na semana 12 e 13, depois disso fica, meio que , tarde demais, via ultrasson. Então se você quer, tem que pagar. Parece que agora eles iam mudar a lei, oferecendo essa ultra, e quem quiser faz, uma vez que um número muito grande de pessoas paga particular. Na Dinamarca, é oferecido gratuitamente e eles tem um número menor de bebes com down.
Mas voltando, nessa ultra da semana 12 o feijão já era um bebezinho. Deu até pra ver os dedinhos dos pés. E se mexia feito um cabrito ! provavelmente devido ao mix de coca-cola e chocolate que a mamãe aqui mandou ver.
Foi então que contei oficialemnte que estava grávida. 

No meu trabalho já haviam 4. E até eu sair de licença maternidade já eram 9. Contagioso hehehe.  Pena que essa epidemia não chegou lá antes.
Nesse meio tempo fui ao Brasil e apresentar a pança. 

O bom de estar grávida, nem que seja de uma semana é não precisar mais esconder a barriga. Não precisa encolher, prender a respiração, disfarçar, nada. Você caminha confiante e sem medo de ser feliz.
Quando disse ao médico que iria ao Brasil, ele falou pra eu tomar cuidado com as frutas, saladas e água da terra tupiniquim. Se você viaja para a Índia, China ou Brasil, eles daqui, acham que é tudo igual no quesito comida e água.

Bom, no Brasil, as grávidas tem prioridade. Até fila pra elas tem. Aqui, não.
Mas no Brasil, eles entendem por grávida aquela companheira que está de 9 meses. Se estiver só com 5, ou só com uma barriguinha, eles reclamam. Geralmente os aposentados, que compartilham a fila preferencial. Ouvi comentários e caras feias em 3 diferentes lugares. E nos 3 fiquei empacada na fila preferencial, enquanto que a outra andava mais rápido do que um cometa. 
 Outro costume muito comum no Brasil e em outros países, com excecão da Noruega, é ceder o lugar para a grávida no transporte público. No Brasil, pelo menos em sampa, você corre risco de vida senão der o lugar. Aqui na Noruega, no meu trabalho, uma colega grávida chegou surpresa, porque deram lugar pra ela no metrô, o lance é tão ousado que ela chegou contando pra todo mundo, tipo “nossa vocês não vão acreditar …” e indignada porque as pessoas a ignoravam juntamente com sua barriga. Aí eu falei pra ela, mas pera lá, quando você não estava grávida, você dava o lugar ? Ela vira e responde: “não”. Ah …… tá. 

Voltei do Brasil e um tempinho depois foi o dia da ultrassom morfológica.
Durante o pré natal, você pode escolher onde quer ter o filho. Não necessariamente eles vão te aceitar, por exemplo, se você residir num distrito ou região diferente. E mesmo que você consiga o hospital que escolheu, também corre o risco na hora H de ser atendida em outro lugar, por falta de leito, principalmente no verão, onde todo mundo resolve ter os filhos. No hospital que te designarem é aonde você fará o ultrassom.

A parteira fez todas as medidas e foi explicando as coisas. Coracão, rins, e outras coisas que não me lembro agora. No final ela perguntou se a gente queria saber mais alguma coisa. E sim, queríamos !! O sexo do bebê. 

Semana 19
Durante a visita ao Brasil, uma amiga minha resolveu fazer uma tipagem fetal do meu sangue. A partir de 14 semanas de gestação, senão me engano, pode-se encontrar células do feto no sangue periférico da mãe. Analisando os marcadores genéticos para a amelogenina, consegue-se saber se a pessoa é XX (mulher) ou XY(homem), ou seja, se no resultado do exame constar Y, significa que se está grávida de um menino. Se der XX, ou é porque se espera uma menina ou porque haviam poucas células fetais no sangue e o exame deu um falso negativo. Mas esse teste é muito específico e minha amiga, careca de fazer tais exames.
Enfim, nosso deu XX.
Anders vibrou. Ele queria  uma menininha. Ele estava feliz.

Bom, voltando no dia do ultrassom, a parteira com a maior confiança diz que teríamos um meninO. A cara do Anders foi tal, que ela assustou e perguntou se a gente não tinha gostado. Aí contamos a novela toda e logicamente estámos felizes. E ela mostrou lá a prova do crime do meninão.
Anders ainda entrou no carro com cara do tipo “meu, não to acreditando… sua amiga jurou” hahaha, falei pra ele não se preocupar que eu iria pedir o dinheiro do meu exame que foi de graça de volta.

E no carro eu fechei meus olhos e pensei “um menino, eu seria mãe de um menininho“.